Um sintoma muito forte que eu vejo dessa distância (e a busca pela reconexão com o corpo) é em relação ao parto. O Brasil é campeão em cesáreas, e isso se deve muito ao mercado da saúde (menos custo aos hospitais, menos riscos aos médicos), mas conversando com amigas grávidas, vejo como também é o medo da dor (e a incerteza do que vai acontecer com seu corpo) o principal motivo pela escolha dessa via de parir. Quando escolhi tentar parto vaginal, lembro que as leituras - e conversas com doulas - iam muito pro lugar do: "o corpo sabe o que fazer", "tu vai sentir a melhor posição pra ti", e isso é em parte verdade mas pra isso acontecer a gente precisa saber ouvir o corpo, e essa desconexão com o corpo dificulta a construção desse saber, o que acaba levando cada vez mais mulheres à uma cirurgia muitas vezes desnecessária para parir.
Nossa, que comentário perfeito. Eu imagino que o parto é um momento que realmente pede muitaa conexão com o corpo e não é algo que pode ser construído do dia pra noite né. Obrigada pelo comentário, me fez refletir bastante.
E uma coisa que tenho refletido sobre a desconexão do corpo é também a percepção -- ou falta de -- que temos sobre ele. Em tempos de Ozempic e tantos procedimentos estéticos, não sabemos mais como uma pessoa de 30, 40 ou 70 anos "deveria" se parecer. Sinto que os padrões de beleza parecem ter linhas mais tênues, porém, não menos rígidas.
Feliz demais de saber que você gostou! Essa questão com o padrão de beleza dá muito pano pra manga, porque vai além de ser magreza e tem uma vertente de aparência desse corpo, elasticidade da pele, etc. Ótimo comentário!
Excelente reflexão! Coincidentemente falei de alguns temas daqui no meu conto que publiquei hoje, a ideia foi trazer uma visão imersiva de como esses hábitos atuais, quando extrapolados, distanciam cada vez mais a humanidade do ser humano.
Amiga, amei a news, penso muito nesse rolê de descolamento do corpo, tanto que no Infinita tem isso da personagem ser completamente descolada do próprio corpo: ela não É um corpo, ela TEM um corpo.
Nossa, verdade, tanta gente só lembra do corpo quando dói. Eu comecei a trabalhar com autoconhecimento corporal tem pouco tempo. É incrível ver as pessoas se descobrindo, mas ao mesmo tempo é estranho perceber o quão pouco as pessoas se conhecem hoje em dia. Localizar uma articulação, soltar tensões musculares ou perceber um tendão pode ser um momento revelador haha Seria legal se todo mundo se questionasse: como eu sinto meu corpo?
Um sintoma muito forte que eu vejo dessa distância (e a busca pela reconexão com o corpo) é em relação ao parto. O Brasil é campeão em cesáreas, e isso se deve muito ao mercado da saúde (menos custo aos hospitais, menos riscos aos médicos), mas conversando com amigas grávidas, vejo como também é o medo da dor (e a incerteza do que vai acontecer com seu corpo) o principal motivo pela escolha dessa via de parir. Quando escolhi tentar parto vaginal, lembro que as leituras - e conversas com doulas - iam muito pro lugar do: "o corpo sabe o que fazer", "tu vai sentir a melhor posição pra ti", e isso é em parte verdade mas pra isso acontecer a gente precisa saber ouvir o corpo, e essa desconexão com o corpo dificulta a construção desse saber, o que acaba levando cada vez mais mulheres à uma cirurgia muitas vezes desnecessária para parir.
Nossa, que comentário perfeito. Eu imagino que o parto é um momento que realmente pede muitaa conexão com o corpo e não é algo que pode ser construído do dia pra noite né. Obrigada pelo comentário, me fez refletir bastante.
Eu AMEI esse texto, Monica!
E uma coisa que tenho refletido sobre a desconexão do corpo é também a percepção -- ou falta de -- que temos sobre ele. Em tempos de Ozempic e tantos procedimentos estéticos, não sabemos mais como uma pessoa de 30, 40 ou 70 anos "deveria" se parecer. Sinto que os padrões de beleza parecem ter linhas mais tênues, porém, não menos rígidas.
Amei sua reflexão! <3
Feliz demais de saber que você gostou! Essa questão com o padrão de beleza dá muito pano pra manga, porque vai além de ser magreza e tem uma vertente de aparência desse corpo, elasticidade da pele, etc. Ótimo comentário!
Excelente reflexão! Coincidentemente falei de alguns temas daqui no meu conto que publiquei hoje, a ideia foi trazer uma visão imersiva de como esses hábitos atuais, quando extrapolados, distanciam cada vez mais a humanidade do ser humano.
Amiga, amei a news, penso muito nesse rolê de descolamento do corpo, tanto que no Infinita tem isso da personagem ser completamente descolada do próprio corpo: ela não É um corpo, ela TEM um corpo.
Nossa, verdade, tanta gente só lembra do corpo quando dói. Eu comecei a trabalhar com autoconhecimento corporal tem pouco tempo. É incrível ver as pessoas se descobrindo, mas ao mesmo tempo é estranho perceber o quão pouco as pessoas se conhecem hoje em dia. Localizar uma articulação, soltar tensões musculares ou perceber um tendão pode ser um momento revelador haha Seria legal se todo mundo se questionasse: como eu sinto meu corpo?
Esse ponto da gente só lembrar do corpo quando dói é muitoooo real.